No final do século passado, muito se escreveu, muito se falou, muito se projetou, muito se desenvolveram as ciências e as correlativas tecnologias, muitos novos valores surgiram e outros foram, preconceituosa e envergonhadamente, esquecidos e/ou, pelo menos, pouco aflorados.
O novo século XXI abriu com votos e expectativas de um mundo melhor, mais justo, humano, solidário, mais igual. Rapidamente se esqueceram os votos, as promessas, os projetos mais nobres, para se retomarem as velhas práticas, os ultrapassados preconceitos, as ambições, egoísmos e outros sentimentos que, civilizacional, moral e eticamente, já não deveriam ser visíveis, muito menos praticados, na e pela pessoa humana contemporânea.
Na última década do século passado, os projetos altruístas, generosos e que teriam possibilidades de êxito, foram elaborados, divulgados à escala mundial, porém, muitos e bons, não passaram de ideais impressas no papel e, já então, alguém escrevia: «Para o próximo milénio, é necessário encontrar uma via que conduza a uma sociedade em que os seres humanos possuam igualdade de direitos e vivam colectivamente numa atmosfera de solidariedade, é necessário encontrar um caminho: longe das diferenças que separam ricos e pobres, poderosos e oprimidos; longe das estruturas que causam a fome, a privação e a morte; longe do desemprego que afecta milhões de pessoas; longe do mundo em que os direitos humanos são violados, os seres humanos torturados e condenados ao isolamento; longe de um modo de vida em que os valores morais e éticos são subestimados, senão mesmo repudiados. Precisamos de uma nova ordem social ao nível mundial.» (KUNG, 1990:124-25).
Inicie-se, então, este grandioso projeto, não com o objetivo de eliminar os ricos, os privilegiados e os que estão bem na vida, principalmente aqueles que o conseguiram de forma honesta, mas, pelo contrário, criar as condições para que os mais desfavorecidos consigam, também eles, aproximar-se daqueles níveis de vida, solicitando-se, inclusivamente, a cooperação dos mais favorecidos, dos mais capazes, dos que possuem os melhores recursos técnicos, financeiros e humanos. As desigualdades compreendem-se no domínio do mérito, na diferença entre quem trabalha, arrisca e investe e os que, pura e simplesmente, não querem trabalhar, mesmo quando se lhes oferecem as necessárias oportunidades.






















