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Duas pessoas analisam um catálogo de vinhos junto a várias garrafas, ilustrando a escolha e apreciação de vinhos num evento de degustação.
Foto: ©Tony da Silva


Bruxelas, maio de 2026—O setor vitivinícola português voltou a estar no centro das atenções com a realização da mais recente edição da "Prova de Vinhos" na Alimentar. Numa mudança significativa de estratégia em relação às edições anteriores, a organização implementou um bilhete de entrada no valor de 20 euros, um montante que foi integralmente deduzido numa das compras efetuadas durante o evento. Esta nova medida visou valorizar a experiência do visitante e incentivar a aquisição direta dos produtos apresentados.

O recinto transformou-se num verdadeiro templo dos sentidos, reunindo alguns dos nomes mais sonantes da enologia portuguesa. 
A Quinta da Aveleda marcou presença com o seu clássico Vinho Verde, enquanto a Casa José Pedro, digno representante das terras quentes transmontanas, apresentou uma seleção diversificada que destacou a versatilidade das castas nacionais. A Cabriz trouxe-nos o seu "best- seller" homónimo, juntamente com uma das maiores referências da rica e sempre versátil região do Dão, a Casa de Santar.

O peso da história fez-se sentir na mesa da secular José Maria da Fonseca que levou algumas das suas referências mais emblemáticas, contrastando com a modernidade e o design arrojado da Adega Mayor, um jovem produtor que se tem vindo a afirmar graças à sua visão inovadora e dinâmica. Esta ramificação do grupo Delta cafés tem o objetivo claro de perpetuar o espírito empreendedor do seu fundador, o comendador Rui Nabeiro. A região de Bucelas, uma das mais pequenas e antigas regiões demarcadas portuguesas, também foi brilhantemente representada pela Enoport United Wines. Vinhas em solo arenoso dão à luz bagos da singular casta Arinto, símbolo máximo de autenticidade e identidade do nosso rico património ampelográfico. 

A duriense Mateus & Sequeira reafirmou o seu estatuto global, conjugando o carácter vincado dos vinhos de mesa com a elegância dos seus vinhos do porto. Outro dos grandes destaques foi a presença do produtor Tiago Cabaço, projeto que tem vindo a ganhar notoriedade pela qualidade excepcional e pela interpretação contemporânea do terroir alentejano. Para terminar este elenco de luxo, não poderíamos deixar de realçar a vinda de um dos principais responsáveis pela projecção dos vinhos alentejanos além fronteiras. A inabalável consistência demonstrada ao longo dos tempos, assim como a exigência aplicada em cada etapa da vinificação, colocaram a Adega da Cartuxa - Função Eugénio de Almeida - num patamar ao alcance de poucos.

A nova dinâmica de entrada dedutível foi particularmente bem recebida pelos visitantes, que puderam explorar a diversidade da oferta — dos vinhos de grande produção às etiquetas de autor — com a garantia de que o valor do bilhete seria revertido em produto. "Esta fórmula cria uma ligação mais direta entre o consumidor e o produtor", comentou um dos participantes, enquanto apreciava um néctar do Douro.

Durante o evento, as sessões de degustação comentadas permitiram que os representantes dos produtores citados anteriormente, pudessem  partilhar segredos sobre o perfil de cada vinho e sobre as técnicas de vinificação próprias a cada enólogo. Mais do que um evento comercial, a "Prova de Vinhos na Alimentar" reafirmou a sua importância como plataforma de promoção da cultura portuguesa, na qual o vinho ocupa um lugar privilegiado. 
Vários elementos se conjugaram de forma harmoniosa para que os amantes da boa mesa pudessem desfrutar desta experiência única. Venha a próxima!


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