O dia escureceu e milhões olharam para o céu. 114 anos depois, Portugal voltou a viver um eclipse solar total.
O céu proporcionou um espetáculo raro no passado dia 12 de agosto. Ao final da tarde, milhões de pessoas acompanharam um eclipse solar total, cuja faixa de totalidade atravessou a Gronelândia, Islândia, Espanha e uma pequena área do nordeste de Portugal. No resto da Europa, incluindo a Bélgica, o fenómeno foi observado como eclipse parcial. Este foi o primeiro eclipse total do Sol visível em território português desde 17 de abril de 1912, ou seja, há 114 anos. Na Bélgica, foi o maior eclipse solar desde 1999.
O eclipse solar acontece quando a Lua passa entre a Terra e o Sol, ocultando total ou parcialmente o disco solar. Na faixa de totalidade, durante breves instantes, através de equipamento ou óculos especiais, torna-se possível observar a coroa solar e, se for total, o dia transforma-se temporariamente em noite.
Em Portugal, o espetáculo foi particularmente impressionante. Uma pequena zona do nordeste transmontano entrou na faixa de totalidade, enquanto no restante território, a Lua ocultou grande parte do disco solar.
Na Bélgica, apesar de não ter havido escuridão total, o fenómeno foi o maior eclipse solar observado no país desde 1999. Em Bruxelas, começou por volta das 19h18 e atingiu o máximo às 20h13, quando cerca de 90% da superfície do Sol estava ocultada pela Lua. Este fenómeno astronómico proporcionou uma visão do sol em arco, iluminou a terra com uma luz particular e baixou a temperatura, num dia particularmente quente.
O interesse foi tal que a Brussels Airlines organizou um voo especial, com cerca de 100 passageiros, dedicado à observação do fenómeno a partir do ar, numa iniciativa realizada em colaboração com instituições científicas belgas. A adesão e entusiasmo da população em torno do fenómeno foi tal que os óculos especiais para observar o eclipse em segurança esgotaram em poucas horas em várias farmácias europeias. A observação de um eclipse exige cuidados rigorosos: nunca se deve olhar diretamente para o Sol a olho nu ou através de óculos, filtros ou materiais não certificados para observação solar. A exposição pode provocar queimaduras na retina sem qualquer dor imediata — já que esta não possui recetores de dor — e causar danos visuais graves e potencialmente permanentes.
A Europa não terá de esperar muito pelo próximo grande encontro astronómico: em 2 de agosto de 2027, um novo eclipse total será visível no sul de Espanha, enquanto outras regiões europeias voltarão a assistir a um eclipse parcial.
O eclipse de 12 de agosto deixou, assim, imagens memoráveis em vários pontos da Europa e recordou como, durante alguns minutos, um fenómeno astronómico pode fazer milhões de pessoas olhar simultaneamente para o céu.









