O miúdo até era um bom comentador. Tinha jeito para a política e muitos lhe anunciavam altos voos. Mas parece que as asas começaram a perder força e a realidade começa finalmente a impor-se.
A não eleição para vice-presidente do Grupo Parlamentar do Partido Popular Europeu é um duro revés político e um sinal claro de que a sua projeção mediática não se traduz automaticamente em confiança política.
Quiçá fruto de guerras internas no PSD? De falta de apoios? Ou terá pesado a imagem de um jovem arrogante, convencido de que é dono do mundo e senhor absoluto da razão?
A postura de superioridade que Sebastião Bugalho tantas vezes transmite poderá não ter caído nada bem entre os seus próprios colegas da bancada do PPE. Na política, a sobranceria pode impressionar à distância, mas raramente conquista quem tem de trabalhar lado a lado.
Na política europeia, não basta ter boa comunicação, ambição e padrinhos políticos. É preciso conquistar respeito, criar consensos, saber ouvir e demonstrar competência para além das câmaras e dos discursos inflamados.
A arrogância pode abrir portas mediáticas, mas dificilmente conquista votos entre pares. E quando chega a hora de escolher, os colegas parecem saber distinguir entre notoriedade e liderança.
Bugalho foi apresentado como uma grande promessa. Mas uma promessa política não se confirma com frases de efeito, exposição mediática ou confiança excessiva nas próprias capacidades. Confirma-se com resultados, humildade e capacidade de reunir apoios.O que fizeram à Eurodeputada Lídia Pereira, que tinha tudo a seu favor para ser reeleita, foi grave, nem ao pior inimigo se faria tal coisa. Quem perdeu foi Portugal na influência dentro do maior grupo político europeu.E fica a pergunta: foi o PSD que falhou a Bugalho ou foi Bugalho que falhou, mais uma vez, na conquista da confiança dos seus colegas europeus?
Jorge Afonso






















